Cássio de Sousa Ribeiro, de 27 anos, acusado de ter matado a namorada, a esteticista e maquiadora poços-caldense Daniele Aparecida Capelari Plachi, em dezembro de 2016,  em uma cachoeira em Bandeira do Sul, segue negando o crime, mesmo após sua prisão em 20 de janeiro deste ano. Os advogados de defesa Wanderley de Melo e Letícia Lima afirmaram que o cliente é inocente, durante entrevista coletiva realizada na manhã desta quarta-feira (29).

Maquiadora foi morta em 2016, segundo Polícia Civil (foto: redes sociais)

Wanderley diz que existem duas versões sobre o caso, a da polícia e a de seu cliente. “A versão policial é de que ele tem algum envolvimento com a morte da jovem, porém em três anos e dois meses não foram apresentadas denúncias, porque as provas não são concretas e robustas. O que existem são indícios. Entre a versão policial, que eu respeito, e a do meu cliente, por que a dele é a mentirosa? Por que é ele quem está mentindo?”, questiona.

O inquérito que apura a morte de Daniele foi instaurado dias após a morte e só foi concluído agora, após o delegado Tales de Souza Moreira assumir a delegacia de Campestre, no final do ano passado, e determinar que sua equipe levantasse provas, colhesse depoimentos, reunisse laudo pericial e realizasse a reconstituição dos fatos. Logo após a morte, o celular de Daniele, que teria sido usado para tirar uma foto do casal, foi encaminhado para o instituto de criminalística para que pudessem acessar arquivos e verificar, principalmente, se a imagem estava registrada no aparelho.

O advogado questiona todo esse tempo em que o inquérito ficou sem andamento e o motivo de Cássio ainda não ter sido indiciado. “Em caso de dúvida a lei diz que beneficia-se o acusado, então se existe alguma dúvida de que foi ele, essa dúvida o beneficia e a defesa vai trabalhar em cima desta dúvida”, afirma Wanderley.

O relacionamento

O bom relacionamento de Daniele e Cássio é outra dúvida para o processo. Algumas testemunhas afirmam que o rapaz era ciumento e possessivo. Cássio diz que Daniele entrou na água para salvá-lo, após ele ter escorregado, tendo sido arrastado por cerca de seis metros até conseguir sair. “Num gesto nobre ela tentou salvá-lo. O laudo pericial fala de afogamento, ninguém fala de homicídio ali”, argumenta o advogado.

Defesa vai pedir revogação da prisão (foto: Mariana Negrini)

As testemunhas afirmam que a esteticista tinha pavor de água e que quando o corpo foi encontrado ela estava sem a aliança de compromisso que ambos usavam.

A defesa alega o inquérito é bastante dividido, com testemunhas decididamente contra ou a favor de Cássio. “Eu não sei de nenhum ato que desabone a conduta dele neste aspecto, me parece que o relacionamento era muito bom, tanto que estavam passeando em uma cachoeira”, afirma.

Prisão

As contradições no depoimento de Cássio, como indícios de que ele era ciumento e possessivo, além do resultado da perícia do celular, onde não foi encontrada a foto que eles teriam tirado antes da queda da vítima, levaram a polícia a concluir o inquérito como sendo um caso de homicídio qualificado, um feminicídio. A prisão dele foi solicitada à Justiça e emitida, levando à detenção dele no último dia 22. O suspeito estava em um bar em Poços de Caldas.

“Ele não teve a prisão decretada por conta do fato. Consta no processo uma certidão que ele estava em local incerto e não sabido, foragido nos termos populares. Mas a verdade é que ele estava em Poços e trabalhando com a família. Ao se mudar ele não teve o cuidado de acompanhar o processo. Ele cometeu, talvez, um pequeno deslize de não ter comunicado seu endereço, portanto vou pedir a revogação da prisão”, esclarece o advogado. Cássio está preso em Alfenas.

Celular

Cássio diz que o celular dele estava no carro e o da jovem foi usado para tirar a foto na pedra. “Após tirarem a foto ele guardou o aparelho no bolso dele, foi quando ela molhou os pés dele e ele caiu na água. O celular molhou, mas com chances de recuperação, ele não conseguiu usar o celular naquele momento e por isso foi até o posto de gasolina para pedir ajuda”, explica a advogada Letícia Lima.

A defesa alega que, em razão do aparelho ter molhado, a foto tirada na pedra se perdeu. “A gente acredita que essa perícia foi inconclusiva em relação à recuperação das fotos e dos dados”, afirma a advogada.

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