Autor confessou o crime (fotos: Mariana Negrini)

Ricardo de Araújo Lima, de 48 anos, assassino confesso da comerciante Maria Irene Arruda de Lima, no Braz (SP), chorou ao falar com a imprensa na manhã desta quarta-feira (12). Ele foi preso em Poços, quando já estava saindo da cidade, após ter se apresentado na delegacia antes da emissão do mandado de prisão. “Eu estava sendo muito ameaçado, eu fiz isso com medo, ameaçavam a mim e a minha família na nossa casa”, conta.

Ricardo é acusado de ter matado a comerciante no último dia 5, quando ele foi até a loja de Maria Irene, com a desculpa de mostrar um carro para que pudesse abater na dívida que tinha com a família da comerciante. A vítima o atendeu ao lado do filho e quando este saiu, Ricardo sacou uma arma e atirou contra o peito de Maria Irene, que correu para dentro da loja e morreu nos braços do filho.

Ricardo será encaminhado para São Paulo

O autor fugiu, abandonou o carro e veio para Poços de Caldas. Aqui, ele procurou a delegacia no sábado (8), prestou depoimento, mas foi liberado por não estar em flagrante e não haver mandado de prisão cadastrado.

Na segunda-feira (10) a justiça paulista expediu o mandado após às 17h. O delegado que investiga o caso em São Paulo fez contato com a delegacia de Poços e foram iniciadas as diligências para a prisão de Ricardo.

O autor foi encontrado dentro de um carro, onde estava de carona, próximo à sede da Polícia Rodoviária Federal, já deixando a cidade. A intenção dele era pegar um ônibus para Aparecida do Norte.

Confissão

Desde que se apresentou espontaneamente, Ricardo confessa o crime. Nesta quarta-feira, ao ser questionado pela imprensa, ele voltou a confirmar ser o executor do crime. Ele chegou a tecer alguns comentários, mas preferiu não dar detalhes do crime.

Ele começou contando que vinha recebendo várias ameaças, que a maioria delas acontecia em sua casa, que era de propriedade da vítima. Questionado se valeu a pena ter tirado a vida da mulher, ele é categórico: “Jamais uma coisa dessas ia valer a pena”.

A dívida do autor era com o casal, mas ele acreditava que as ameaças partiam apenas da mulher. “Ele nunca me ameaçou, quem me ameaçava era ela, porque eu tinha cheques com eles e ela queria a casa de qualquer maneira”, explica.

A dívida relatada inicialmente seria de R$ 9 mil, referente a seis meses de aluguel, no entanto, outros valores já foram apontados durante a investigação e chegariam a R$ 60 mil. Ricardo não soube precisar quanto devia, mas, garante que não era referente a alugueis e sim a cheques que os comerciantes trocavam para ele a juros e alguns não foram compensados por falta de fundos.

Questionado sobre como decidiu ir à favela, comprar a arma e executar a comerciante, o autor se calou e parou de falar com a imprensa.

Em depoimento ele contou que comprou a arma por R$ 1.500,00 na favela Taquari, em Itaquera, depois de ter colocado sua família e a mudança em um caminhão e encaminhado para Poços.

Disse ainda que após a execução foi até o Lago da Concórdia, onde abandonou o carro e dispensou a arma em um rio. Ele ainda permaneceu na capital por dois dias após o crime.

Polícia Civil

O delegado Hernanni Perez Vaz, que atuou no caso ao lado dos investigadores Joel, Paulo Silva,  Neif e Acácio, deu detalhes dos trabalhos realizados na cidade. Ele explica que Ricardo já manteve comércio em Poços e se mudou para São Paulo com a família em 2015, para expandir os negócios.

Ciente dos fatos, mas sem a possibilidade de fazer a prisão, os policiais passaram a monitorar os passos do autor, tendo notado que ele tinha a intenção de se furtar da aplicação da lei, uma vez que ele chegou a se esconder na cidade de Cabo Verde e depois em um sítio. Ele retornou a Poços e quando o mandado foi expedido os investigadores foram a campo, tendo percebido que ele já tinha iniciado uma nova fuga.

“Ele tentou se evadir de Poços, ele seguia para a cidade de Pouso Alegre, mas o destino final seria a cidade de Aparecida do Norte. Mas, quando ele deixava a cidade, nossa equipe conseguiu realizar a prisão”, relata.

Agora o fato já foi comunicado à delegacia de São Paulo e Ricardo será recambiado.

 

 

 

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